Às vezes parece tão fácil escrever; os pensamentos tomam conta da mente. As inundam com palavras que de inicio parecem sem sentido. Parece estranho quando elas se encaixam entre os sonhos e fogem quando os olhos se abrem. A luz transforma tudo em irrealidade nos fazendo navegar nos dias de pouca paz.
Às vezes parece difícil escrever; os pensamentos escapam quando o sono vem. O cansaço interno se torna externo no fechar de olhos. As palavras agora não são transmitidas por sons e sim por feixes de luz que clarificam as trevas que todo coração vazio conhece bem.
Às vezes parece estranho estar só. Os olhos se abrem no escuro da noite. A mente não se sente e os pensamentos flutuam pelas cores do amanhecer.
Não se entende o próprio corpo quando se sente o primeiro respirar do acordar. Às vezes nem sabemos se estamos mesmo neste ou em outro plano. Perguntas sem sentido passam pelas linhas do cérebro e delas escapam pelas distrações que os olhos nos fazem crer. Fazem-nos perceber que o amanhecer realmente esta ali, lhe tocando o corpo.
Tenta-se fechar com força a palma da mão! O desgaste das horas de sono e de insônia desviam as forças do pulso para o peito. Ali se encontram portas que insistem em não se abrir, enquanto as mãos insistem em se tentar fechar. Em tentar sentir. Em tentar resistir as lágrimas que ainda não rolaram pelo rosto. Rosto este contraído, enrugado, como se estivesse sugando pelos olhos a pouca água que insiste em tentar sair.
Difícil de se levantar quando desde já se quer ver o crepúsculo. Enquanto os olhos se enchem e a garganta seca, isolando as cordas vocais que deixam escapar um leve gemido de dor que vem de dentro. Vem das portas que não se abrem.